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Parque Nacional da Peneda-Gerês

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Há sítios no mundo que são como certas existência humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles.” (Miguel Torga)

Quando pensamos em escrever um artigo sobre o Gerês achamos que seria algo fácil. Já perdemos conta das vezes que lá fomos. Mas a verdade é que a tarefa se tem mostrado árdua. Não é fácil escrever sobre algo que nos diz tanto. Queremos que fique perfeito. Queremos que se apaixonem tanto quanto nós. Por isso, isto não será um roteiro como os outros, mas antes uma partilha daquilo que o Gerês foi e continua a ser para nós.

Informações Úteis

O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) integra a Rede Nacional de Áreas Protegidas, gerida pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Ocupa uma área de 69 596 hectares e abrange território de 22 freguesias distribuídas pelos concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre.

Dicas a registar

Existem muitas pessoas que nos dizem “Fui ao Gerês e não vi nada de especial”. Não estejam à espera de chegar e ter fantásticas cascatas ao virar da esquina à vossa espera. Nem estejam à espera de ver grandes e luxuosos operadores turísticos (graças a Deus!). O Gerês é natureza. Ponto final. Por isso, levem roupa e calçado confortável e máquina fotográfica na mão. Estejam preparados para fazer trilhos fantásticos. As cascatas são o bónus de quem as procura e caminha até lá. A água é gelada mas pouco importa quando se tem paisagens de cortar a respiração.

Se entrarem no Gerês pela Vila, passem no posto de turismo. Lá terão acesso aos mapas dos trilhos que existem, bem como, aconselhamento especializado sobre os locais mais interessantes a visitar.

Como chegar e deslocar

Como referimos anteriormente, o Parque Nacional da Peneda-Gerês tem uma extensão muito grande sendo que a melhor forma de o explorar é com carro. As estradas têm muitas e apertadas curvas, o que faz com que alguns quilómetros demorem bastante tempo a percorrer.

A forma mais fácil de chegar é seguindo as direcções até Braga. Depois de estarem em Braga é só seguir as indicações para o Gerês. O trajecto está bem sinalizado e é feito por estradas nacionais.

onde ficar hospedado

Somos suspeitos porque apesar de já termos ficado hospedados em hotéis e apartamentos no Gerês, achamos que a melhor experiência é nos parques de campismo ou em bungalows mais resguardados das vilas. Adoramos acordar com o som da água a correr e o chilrear dos passarinhos. E falando em parques de campismo com bungalows podemos aconselhar o Parque do Vidoeiro onde já estivemos várias vezes (acampar e bungalow). Trata-se de um parque bastante simples, sem grandes luxos mas com a enorme vantagem de estar localizado em plena reserva natural e por isso, tem um ambiente incrível. Se preferirem parques melhor equipados têm, por exemplo, o Parque da Cerdeira e se preferirem hotéis aconselhamos a ficarem na Vila do Gerês no Águas do Gerês – Hotel Termas e Spa.

Roteiro

Vamos agora ao que verdadeiramente importa: a nossa história com o Gerês começou em Abril de 2009. Tínhamos 7 meses de namoro, muita vontade de conhecer sítios novos e pouco dinheiro. Marcamos a nossa primeira escapadinha para Baiona em Espanha e, na ida, decidimos parar no Gerês. Mal sabíamos que havíamos de lá voltar vezes sem conta.

Gerês
Gerês
Gerês
Gerês

Depois desta vez seguiram-se outras vezes, praticamente todos os anos. Em alguns anos mais do que uma vez. E ainda assim, sentimos que conhecemos muito pouco daquelas montanhas e cada vez que lá vamos há um novo trilho para fazer, uma cascata que ainda não conhecemos ou um miradouro que nunca tínhamos dado conta. A natureza tem destas coisas, não é estática e fica sempre cada vez mais bonita.

O que não perder no Gerês…

Percursos Pedestres / Trilhos:

Existem imensos trilhos que pode fazer no Gerês. Tudo depende da zona que pretende explorar e dos quilómetros que está disposto a fazer. No nosso caso, conhecemos as zonas do Campo do Gerês, Vilar da Veiga, Cabril e Brufe. Ainda não tivemos oportunidade de conhecer as regiões de Castro Laboreiro, Soajo, Lindoso e Pitões das Júnias. Mas isso mudará em breve!

Posto isto, os trilhos que já fizemos foram os seguintes:

  • PR5 – Trilho da Águia do Sarilhão: Foi o primeiro de todos e o único que não chegamos a completar porque nos perdemos algures pelo meio. Tem 9 quilómetros, duração média de 3 horas e dificuldade média. O seu ponto de partida é junto à Porta do Campo do Gerês e o percurso desenvolve-se por essa zona incluindo também parte da Geira Romana. A titulo de curiosidade, pensa-se que Geira Romana foi uma estrada militar construída presumivelmente no último terço do séc. I d.C. para ligar Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga). É entre o Campo do Gerês e a Portela do Homem que se situa o troço mais bem conservado.
sarilhão
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sarilhão
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PR10 – Trilho da Preguiça: Deve ser o trilho mais percorrido no Gerês e dos mais bonitos. É de dificuldade baixa e tem apenas 5,5km. Tem inicio e final na Casa da Preguiça, situada um pouco acima da vila do Gerês. Ao longo do percurso passará na Cascata de Leonte, que faz o trilho valer muito a pena.

PR3 – Trilho dos Currais: Como o nome indica, irá percorrer ao longo de 10 quilómetros vários currais. O início e final do percurso é próximo à Vila do Gerês, junto à entrada para o parque de campismo do Vidoeiro. O percurso é de dificuldade média a elevada e o ponto alto deste percurso são mesmo os animais em pastoreio que terá oportunidade de ver (principalmente vacas, cabras e cavalos). Este percurso passa ainda pelo miradouro da Pedra Bela (um dos mais bonitos e conhecidos miradouros do Gerês, acessível também com carro).

Percurso da Fenda da Calcedónia: O penedo da Calcedónia é bastante conhecido pela estreita fenda que o atravessa de um lado ao outro e que nos permite atingir o seu topo. Existem várias empresas que vendem este circuito aos turistas mas, teimosos como somos, quisemos fazê-lo sozinhos. Depois de ler algumas indicações na net lá fomos nós de mochila às costas. Diziam-nos que haveríamos de ver uma grande rocha e depois seria só encontrar a entrada da fenda pela traseira do penedo. “Easy”, pensamos nós. Quando estacionamos o carro, deparámo-nos com esta paisagem… E agora? No meio de tanta rocha onde estaria a fenda?

Fomos seguindo o caminho de terra e as pedrinhas que outros aventureiros vão deixando para sinalizar o caminho mas, ainda assim, após várias horas a andar sem ver nenhuma fenda, desistimos. Acabamos a comer o nosso almoço, desiludidos, numa rocha qualquer. Para a Angélica já tinha sido dose suficiente de Calcedónia mas o Tiago não ficou satisfeito e no ano seguinte, após mais algumas pesquisas na Internet, decidimos voltar. Voltamos a pôr os pés no caminho e salvou-nos o casal que regressava em sentido contrário e nos deu indicações mais precisas. Desta vez não havia que enganar e lá encontramos a dita fenda.

“Nunca na vida entro naquele buraquinho escuro” pensei eu. Mas raios, também não queria voltar para trás. Não depois de ter chegado até ali. E então fomos. O percurso na fenda propriamente dita é curto mas bastante íngreme. É necessária destreza para escalar as rochas e, por isso, na duvida, optem pelas empresas especializadas que vos acompanham durante todo o percurso. Chegados ao topo, a sensação é indescritível. A vista é fabulosa e vale a pena todo o esforço.

Dicas: Existe também um trilho oficial denominado PR1 – Cidade da Calcedónia com 7 quilómetros. Nunca fizemos este trilho e pensamos que não inclui a travessia da fenda. Como curiosidade, saibam que esta zona foi povoada na Idade do Ferro e também, anos mais tarde, pelos romanos. Existem ainda vestígios dessa época que comprovam isto mesmo.

Percurso da Geira Romana: Como já referimos, a Geira Romana, também denominada de Via XVIII ou Via Nova, foi uma estrada romana com 318 quilómetros construída para ligar as atuais cidades de Braga, Portugal e Astorga, Espanha. O conjunto de miliários existentes a marcar as milhas do percurso são prova disto mesmo. Uma das partes mais bonitas da Geira, consiste no troço entre a Portela do Homem e a nova ponte de São Miguel. No total são cerca de 4 quilómetros (ida e volta) muito fáceis de fazer. O inicio e fim deste percurso é junto à fronteira com Espanha e está muito bem assinalado. Não tem como enganar!

Geira Romana
Geira Romana
Geira Romana
Geira Romana

Cascatas e Lagoas:

Chegamos agora à parte mais idílica do Gerês: as deslumbrantes cascatas e lagoas! Quando forem ao Gerês vão reparar que em quase todo o lado se ouve água a correr. Existem várias cascatas, todas elas lindíssimas e, para nossa infelicidade, ainda não conhecemos todas. Estamos a lutar para isso mas, para já damos-vos a conhecer aquelas que já visitamos:

  • Cascata do Arado: Juntamente com a cascata da Portela do Homem devem ser as cascatas mais conhecidas pelo fácil acesso de carro. Depois de passar a Vila do Gerês e seguindo em direção a Espanha é só seguir as indicações em madeira. Fica no mesmo caminho do miradouro da Pedra Bela e, por isso, pode visitar os dois locais de uma vez. Quando estiver junto à ponte do Arado é só estacionar o carro e tem duas hipóteses: ou desce pelos caminhos de terra junto à ponte e aproveita as pequenas lagoas que se formam na base da cascata ou poderá subir as imensas escadas que levam ao miradouro que permite ver toda a cascata.
Cascata do Arado foto de casal
Cascata do Arado foto de casal

Cascata do Arado foto de casal

Cascata da Portela do Homem: Esta cascata fica em plena mata da albergaria, na estrada que liga Portugal a Espanha. Apesar de o acesso ser fácil com carro, o estacionamento é proibido. Assim sendo, o melhor é estacionar o carro junto à fronteira Portugal-Espanha e fazer depois o percurso até à cascata a pé (cerca de 2 quilómetros). É a cascata mais procurada em todo o parque natural.

geres
geres

Poço Azul / Lagoa Azul: Conhecemos este local na última visita que fizemos ao Gerês (em Maio de 2019). O acesso é igualmente a pé e poderá estacionar o carro junto à Cascata do Arado. O percurso tem na totalidade (ida e volta) 12 quilómetros, sendo os primeiros bastante fáceis (em terreno plano) e os últimos um pouco mais complicados (descer pela berma do rio). Se clicarem aqui têm as indicações do caminho a fazer. Vejam também este vídeo e, se puderem, levem-no no vosso telemóvel guardado porque dará jeito durante o caminho.

Cascata Fecha de Barjas (mais conhecida como Tahiti): Na nossa opinião é a cascata mais bonita de todas as que conhecemos. Para lá chegar é necessário seguir as indicações como se fosse para a Cascata do Arado. Seguirá sempre com o carro em direção a “Ermida” até aparecer uma placa que indica “Cabril”. Aí terá que virar à direita e seguir por essa estrada (maioritariamente a descer). Encontrará uma ponte de madeira onde passa o rio Arado e certamente que verá carros estacionados. Estacione também o seu pois o acesso é feito a pé (cerca de 1 quilómetro) por um pequeno caminho de terra que encontrará do lado direito a seguir à ponte. Tenha cuidado no acesso a esta cascata porque as descidas são perigosas e muitas vezes escorregadias. Não recomendamos o acesso a esta cascata a crianças pequenas ou quem tenha dificuldades de locomoção.

Quando chegar à base da cascata prepare-se para se encantar. Gostamos tanto que foi um dos locais escolhidos para a nossa sessão fotográfica Trash the Dress.

Outros locais de interesse…

  • Santuário de São Bento da Porta Aberta: Trata-se de um santuário muito conhecido na região do norte de Portugal e são muitos os que peregrinam até aqui. Tem este nome porque no inicio era apenas uma ermida e tinha as portas sempre abertas. Mais tarde, com o aumento crescente de peregrinos e, consequentemente, de esmolas tiveram que começar a fechar as portas. Ainda assim, continua a ser chamado de São Bento da Porta Aberta. Tem um espaço bastante amplo e interessante para piqueniques em família e, aos Domingos, faz-se uma feirinha de venda de artesanato e produtos regionais.

Aldeia de Brufe e os seus espigueiros: São os espigueiros de milho que fazem as pessoas visitar esta peculiar aldeia. Parece redutor mas a verdade é que os espigueiros lhe conferem uma beleza e um encanto sem igual. Quando lá estivemos tiramos poucas fotografias e que não fazem jus à beleza do lugar.

Passeio de gaivota ou caiaque no Rio Caldo: Achamos que não vale a pena dizer muita coisa. É um óptimo plano para dias de calor e a água é mais quentinha que nas cascatas!

As famosas águas quentes de Torneros: Esta zona é cada vez mais famosa entre as pessoas que frequentam o Gerês. Trata-se de um “tanque” de água termal, quente e gratuita. É bastante fácil de lá chegar, basta seguir direção a Espanha, passar a mata da albergaria e a fronteira. Depois da fronteira são cerca de 8 quilómetros numa estrada alcatroada até encontrar uma placa que diz “Lobios” e depois “Torneros” com o símbolo de águas termais. A zona envolvente é bastante verde e agradável para passar um dia em família. No Verão aconselhamos a irem durante a noite, porque durante o dia torna-se demasiado quente. (GPS 42.25897, -8.15412)

Capela de Nossa Senhora da Lapa (Vieira do Minho): É uma capela lindíssima construída numa gruta por baixo de um bloco granítico. Diz a lenda que foi mandada construir por ter surgido a uma pequena pastorinha a imagem de Nossa Senhora da Lapa por baixo de uma rocha. Actualmente, apesar de não ser usada regularmente para as celebrações cristãs, possui um espaço verde envolvente bastante bonito e que merece uma visita.

Outros Locais que ainda não conhecemos mas estão na nossa Bucket List…

  • Aldeia de Castro Laboreiro;
  • Santuário de Nossa Senhora da Peneda e Miradouro do Vale da Peneda;
  • Aldeia de Lindoso e Soajo;
  • Cascata de Pincães;
  • Ponte de Misarela;
  • Aldeia de Pitões das Júnias;
  • Cascata das 7 Lagoas;
  • Passadiços do Sistelo.

Esperamos que tenham gostado das nossas dicas sobre o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Como dissemos e devem ter percebido, o parque é realmente muito grande e cheio de maravilhas para descobrir. Quando se decidir a lá ir, faça-o com o tempo e a paz que o Gerês merece.

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